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Leonor e o Cromossoma do Amor

Este blog serve para vos falar um pouco da nossa vida enquanto pais de uma menina muito especial, pois tem o cromossoma do amor e na realidade foi isso mesmo que ela trouxe à nossa vida: muito amor!

Este blog serve para vos falar um pouco da nossa vida enquanto pais de uma menina muito especial, pois tem o cromossoma do amor e na realidade foi isso mesmo que ela trouxe à nossa vida: muito amor!

Leonor e o Cromossoma do Amor

08
Mai21

A Nossa Perda

Neuza

Nunca foi nossa ideia termos apenas 1 filho, sempre falámos que haveria a palavra irmão/irmã na família que estamos a construir, fui filha única quase 9 anos e não gostei. Ainda hoje digo que a minha irmã foi o melhor e maior presente que os meus pais me poderiam ter dado e eu gostava de poder fazer o mesmo com a minha filha.

Se fosse só querer tinha vindo logo de seguida à Leonor, mas sendo a nossa pipoquinha uma bebé que nos deu algumas despesas extra para além daquelas que saberíamos ter com um bebé e o facto de ter ficado desempregada na altura, não temos tido disponibilidade económica para tal, até porque sempre refletimos muito e dissemos que jamais iríamos tirar da Leonor para dar a outro filho. Neste ponto ela chegou primeiro e tem "prioridade".

Mas já andávamos há uns tempos a fazer contas e a recuperar a esse ponto e vimos que podíamos avançar.

Fizemos tudo como quando pensamos engravidar da Leonor. Fui à minha médica e segui tudo o que me foi indicado.

Deixei a pílula e começamos a tentar, estava tranquila porque com a Leonor demoramos algum tempo para conseguir e eu estava convicta de que agora não iria ser diferente. Pois bem, enganei-me!

No segundo mês e após começar a sentir alguns desconfortos típicos, que me lembro de quando engravidei da Leonor, e quando me lembro de ir fazer as contas e percebo que estou com 2 dias de atraso (eu sempre fui muito certinha, raramente a minha menstruação falha a data...só para terem noção, quando engravidei da Leonor fiz o teste com apenas 1 dia de atraso) e após um momento muito espiritual que vivi nesse dia (não vou entrar em pormenores, mas digamos que tive para comigo mesma uma "conversa" com o meu avô - que já faleceu - e alguns sinais depois), decidi que assim que chegasse a casa - após o trabalho - iria fazer o teste. E assim fiz.

Chego, cumprimento a minha filha e o meu marido e vou direta para o wc.

Não fiz 1, mas sim 2 testes, e lá estava o nosso positivo. Fiquei em choque, não consegui ficar logo em êxtase e assim que caiu a ficha fiquei muito muito feliz. Em conversa com o João digo-lhe como me sinto feliz, mas que sei que não conseguirei viver esta gravidez com o mesmo entusiasmo com que vivi a da Leonor, pelas circunstancias, pelos exames que terei de passar devido à Trissomia da nossa princesa e que já estavam/estão todos delineados com a minha médica, no entanto, estávamos super felizes.

Decidimos que não contaríamos a ninguém durante uns dias pelo menos, queria tentar ver se chegava pelo menos até ao fim da semana sem dar a entender no trabalho porque gostava que quem fosse saber primeiro fosse alguém da nossa família e a verdade é que consegui não contar no trabalho até à data pretendida.

Na segunda-feira seguinte, de madrugada, a nossa pequena estava a dormir connosco porque estava a dormir super mal, eu acordo sem posição para estar na cama, com dores horríveis e vou ao wc e vi que estou com uma grande hemorragia, com direito a coágulos. Começo a chorar de imediato e chamo o João, que coitado me vê em pânico e não sabe como me ajudar.

Decido deitar-me novamente e repousar até de manhã, apesar das dores, a ver se a coisa acalma, mas não aconteceu, eu sabia exatamente o que estava a acontecer e por isso no dia seguinte de manhã falo com a minha médica, ligo à Saúde 24 e sou encaminhada para as urgências do Hospital da minha área de residência.

Dores horríveis ao ponto de ser doloroso o simples facto de estar de pé quieta e uma hemorragia que parece incontrolável.

Sou atendida rapidamente, mas não há muito que se possa fazer, estava a sofrer um aborto espontâneo. No meio de todo este caos que se instalava em mim, a equipa que me atendeu foi fantástica e super compreensiva, foi pedido que me mantivesse em repouso durante o dia, que durante 15 dias não fizesse esforços e para voltar para ser vista ao fim desse tempo e percebermos como estava o meu útero.

Cumpri à risca o que me foi pedido...foram dias em que não consegui não chorar e ainda hoje não consigo não o fazer. O que mais custa é a parte hormonal não cessar com a mesma rapidez que a gravidez, ou seja, sabemos que já não estamos grávidas, mas como a parte hormonal demora mais tempo a resolver, ainda nos sentimos grávidas e com sintomas de.

As dores eram muitas, tive de tomar medicação os 2/3 primeiros dias, após esses dias continuava com hemorragia (haviam me avisado que era possível que assim fosse), mas nas dores ninguém tinha falado e elas cá continuavam. Voltei a falar com a minha médica que me quis ver antes e lá fui eu. A hemorragia estava a diminuir, mais controlada, as dores mantinha e ela lá me explicou que eram contrações uterinas, que teria de ter paciência, fiz análises e estava tudo ok.

Após poucos dias dessa última visita à minha médica a nível físico já estava bem, a hemorragia parou e as dores físicas também.

Agora esta dor emocional, psicológica é muito dura e vai demorar mais um pouco. A minha dor é dor e não é proporcional ao tamanho do bebé ou à idade gestacional, é a minha dor e é grande porque este bebé já era meu e foi muito desejado.

Agora vamos dando tempo ao tempo, estou a seguir todas as recomendações que me foram dadas aquando da alta. Não precisei de raspagem, o meu corpo fez tudo sozinho, por si só e está tudo bem a nível de órgãos internos comigo.

Eu sei que a razão, nestes momentos, tem de se sobrepôr ao coração, mas eu ainda não consigo. E apesar de saber que nada daquilo que eu sinto é real, que até não faça sentido talvez, o que me vai na alma é que eu falhei...falhei com o meu bebé, rejeitei-o, não fiz o que é suposto uma mãe fazer: proteger o seu filho! Lá está, o coração ainda fala mais alto.

Se houve algo de positivo que esta situação me trouxe, foi que mais uma vez a vida me mostrou que tenho o melhor Homem do meu lado, o melhor pai, o melhor marido, o melhor apoio/suporte, o melhor psicólogo e mais respeitador, o melhor amigo, o melhor ombro e colo. Não há palavras nem agradecimentos suficientes para o que ele tem sido e feito todos estes dias.

Por agora, vou-me agarrando à minha Leonor, ela precisa de mim e eu mais do que nunca preciso dela e do carinho que me dá todos os dias.

O caminho faz-se caminhando e eu quero e preciso agarrar-me a coisas boas, ser positiva. A dor vai sempre existir, mas a esperança é que se vá atenuando com o tempo.

Eu por cá continuarei a lutar por nós e pela nossa filhota.

Obrigada e um grande beijinho nos vossos corações.

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