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Leonor e o Cromossoma do Amor

Este blog serve para vos falar um pouco da nossa vida enquanto pais de uma menina muito especial, pois tem o cromossoma do amor e na realidade foi isso mesmo que ela trouxe à nossa vida: muito amor!

Este blog serve para vos falar um pouco da nossa vida enquanto pais de uma menina muito especial, pois tem o cromossoma do amor e na realidade foi isso mesmo que ela trouxe à nossa vida: muito amor!

Leonor e o Cromossoma do Amor

20
Jan20

Já Passou!

Neuza

Já respirei e já descansei um pouco!

Perdoem, desde já, a minha ausência, mas não me sentia de todo capaz de vir aqui. Estava a ser muito duro e precisava que tudo assentasse, principalmente na minha cabeça.

Escrevo-vos de lágrimas nos olhos, elas correm e sabem que mais? Agora já posso chorar, já me posso permitir a libertar tudo o que vai cá dentro.

Até segunda-feira passada a vontade de chorar era imensa, mas não podia, a minha Pipoquinha precisava de mim forte, era ela que estava frágil. A verdade é que eu também estava, a impotência que sentia de não a poder ajudar, queria trocar de lugar com ela e não era possível, estava com uma revolta tão grande...não sabia de onde vinha tanta força porque eu sentia-me fraca, não tinha forças, mas estava focada e naquela altura em que tudo está a ficar bem e de um momento para o outro o nosso maior tesouro começa a piorar e tudo parece escapar-nos por entre os dedos. É uma sensação horrível e que nos destrói totalmente por dentro.

Por fora a tentar parecer calma e serena, a ajudar em tudo o que pude médicos e enfermeiros e a tentar descansar todos os que estavam em casa preocupados.

A Leonor foi internada devido a uma bronquíolite provocada pelo vírus VSR. Não vou entrar em pormenores sobre este vírus, mas é um bicho bastante agressivo em bebés até aos 2 anos, principalmente!

Tinha níveis de saturação de oxigénio demasiado baixos e esteve a oxigénio para repor estes valores.

Quando estava a começar a melhorar, os valores de Oxigénio dela voltaram a baixar e a febre teimava em não desaparecer. Através de RX e análises percebeu-se que havia uma infeção secundária, desta vez bacteriana que lhe provocou uma bronco-pneumonia e voltamos ao início e desta vez, para além de oxigénio tivemos de fazer antibiótico e bombas bronco-dilatadoras, bem como aerossóis para a Leonor conseguir respirar.

Só queria tirá-la dali, arrancar aqueles fios todos colados a ela e arrancá-la daquela cama. Colocá-la apenas juntinho a mim, mas ela precisava de tudo aquilo.

Foram 19 dias de internamento, 14 dos quais em isolamento, mas pareceram-me anos! Eu cheguei ao fim destes 19 dias a sentir-me vazia, extremamente cansada quer física pela privação de sono (isto porque com a luz e o barulho dos monitores, tanto da Leonor, como dos outros meninos dos quartos ao lado, eu simplesmente não conseguia descansar) e o próprio desgaste do corpo, quer a parte emocional/psicológica.

Foi duro, muito difícil para nós! Eu apesar do internamento da Leonor continuei a trabalhar - trabalhava de dia e à noite ia tratar dela, brincar com ela, mimá-la muito! Como consegui? Não sei, já estava em piloto automático, mas foi uma opção minha. Primeiro porque me fazia bem espairecer, pensar noutras coisas, estar com outras pessoas e desanuviar a cabeça e por outro por necessidade. Infelizmente a Leonor não nasceu numa família rica e o corte que nos é dado no ordenado pelo Apoio à Família é considerável. E para conseguirmos manter tudo o que ela precisa e lhe temos dado, não nos podíamos dar a esse "luxo".

É claro que contei com imensa ajuda. Aproveito para agradecer à minha avozinha, que apesar da sua idade, se disponibilizou de imediato, para fazer a viagem até à margem sul e ficar com a nossa Princesinha numa das semanas e aguentou-se firme em viagens entre o Hospital e a nossa casa e aos meus pais que ajudaram a agilizar tudo e tornaram também possível esta estadia dela. Um grande obrigada também aos meus sogros. A minha sogra veio uns dias ficar com a minha Pequenina porque para já ela ainda não pode voltar à escolinha e foi uma super ajuda!

Obrigada também às minhas colegas de trabalho, pela paciência que tiveram comigo, pelas boleias que me deram para o Hospital, pelas trocas de horário para eu poder estar mais tempo a prestar os cuidados que a minha filhota precisava, pela compreensão, pela companhia, por aturarem os meus desabafos.

Obrigada aos meus amigos lindos, que são TOP - tias de coração incluídas (eles sabem quem são, não vou enumerar porque graças a Deus são alguns) pela força, pelo apoio, pela ajuda em tudo o que precisei, por todas as mensagens e chamadas de encorajamento, por se preocuparem connosco e por tratarem do meu patudinho na minha ausência e ainda, pela visita que nos fizeram. Tenho os melhores comigo!

Obrigada à educadora, às auxiliares, à Rute e à Diretora do Colégio da Nonô que se mostraram sempre preocupadas e prestáveis. Cada vez tenho mais a certeza que não poderia ter escolhido local melhor para a educação da minha Pipoquinha.

Obrigada às terapeutas da Leonor - Susana e Raquel - por se mostrarem sempre disponíveis, por me aturarem, por me acalmarem e acalentarem com as minhas preocupações com a Leonor, que eu via a retroceder no seu desenvolvimento, a perder peso e massa muscular, mas que tinham sempre algo positivo para me dar e suporte para continuar a acreditar e a vencer.

Obrigada à pediatra de desenvolvimento da Nonô, por me ouvir, por me esclarecer e por estar sempre atenta ao que se estava a passar.

Um sentido obrigada do tamanho do Mundo a todos!

Já estamos em casa e a recuperar de forma veloz, a desenvolver-nos super bem, felizes e saudáveis!

Prometo que num próximo post vou falar de coisas felizes e que já ando para vos contar há pelo menos 1 mês.

Não levem a mal, mas não há foto neste post!

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