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Leonor e o Cromossoma do Amor

Este blog serve para vos falar um pouco da nossa vida enquanto pais de uma menina muito especial, pois tem o cromossoma do amor e na realidade foi isso mesmo que ela trouxe à nossa vida: muito amor!

Este blog serve para vos falar um pouco da nossa vida enquanto pais de uma menina muito especial, pois tem o cromossoma do amor e na realidade foi isso mesmo que ela trouxe à nossa vida: muito amor!

Leonor e o Cromossoma do Amor

19
Nov19

O Colégio da Pipoquinha

Neuza

Hoje vou falar de algo que para mim é super importante. A procura da escola onde deixaríamos a Leonor "voar" não foi um caminho sem tristezas, no entanto, foi fácil e rápido.

Quando comecei a trabalhar a full time tive mesmo de a colocar no berçário (na altura) e visto que estivemos as duas juntinhas, quase todos os dias, até aos 10 meses dela, foi muito complicado para mim esta decisão, como devem calcular.

Sou muito certinha, pelo menos tento ser, com a saúde da Leonor e apesar de não ter hipótese e ter mesmo de a colocar na creche, fui sempre aconselhada pelos médicos que a seguem, a não inscrever  a minha pequena na escola até aos seus 3 anos, mas procurei e inscrevi. No fundo sabia que não lhe faria mal nenhum, seria até ótimo para ela: tanto a nível do desenvolvimento, como da socialização e até da imunidade, o que na realidade não me enganei, está ótima (doentinha sim, mas acontece e faz parte).

Voltando à procura do colégio, começámos com um que me tinham indicado e com o qual fiquei com ótima impressão aquando das minhas pesquisas, mas foi uma desilusão após a visita. Não pelas condições (eram ótimas), mas porque acho indecente nos dias de hoje, num colégio de topo, como é identificado, onde supostamente estamos a educar e  ensinar os adultos de amanhã, haja preconceito, onde não se pratique a inclusão e onde me deram a entender/perceber que ali não existe igualdade.

E porquê? Quando fizemos a visita ao colégio, adoraram a Leonor (ela é sempre super simpática, bem-disposta e sorridente...impossível não nos derretermos com ela), deram-nos a conhecer o berçário, as condições e estava tudo ok até ao minuto em que referi que a minha filhota tinha um cromossoma a mais. A senhora que nos fez a visita mudou toda a sua postura e disse-nos que neste caso teria de falar com a administração (sendo que eu sabia que ela faz parte da mesma) e que no dia seguinte nos ligavam para dizer qualquer coisa.

Saí de lá e disse ao João: "Com ou sem vaga, sou eu que não quero a nossa filha aqui. Não me identifico com estes valores ou falta deles!". Perdoem-me, mas acho mesmo que estes assuntos têm de ser expostos/abordados. E não é por ter uma filha com Trissomia 21, mas sim porque graças a Deus os meus pais deram-me uma educação 5 estrelas e ensinaram-me a tentar ser sempre uma pessoa melhor, a respeitar os demais e para eu me lembrar sempre que todos temos os mesmos direitos independentemente da nossa condição (quer tenhamos só uma perna, quer tenhamos 6 dedos em cada mão, quer tenhamos um défice no desenvolvimento seja físico, seja cognitivo), todos somos diferentes e isso não faz de nós nem mais nem menos que ninguém.

E claro, que no dia seguinte ligaram a informar que não haviam vagas no berçário e que sendo a Leonor uma menina com perturbações do desenvolvimento intelectual, implicava ter menos 5 alunos na turma em relação ao que é comum (é mentira, só precisam ter menos 1) e que não podiam mandar os outros meninos embora para a receber, como se eu tivesse sequer pedido isso! O estranho é que ainda no dia anterior haviam vagas...mas, por mim, tudo maravilhoso, eu não a queria ali, a minha Pipoquinha merecia mais e melhor.

Continuamos a nossa procura e: ora não haviam vagas, ora não tinham berçário, ora eram caríssimos, até que fomos à visita ao Colégio Villalegre!

1º - Adorei logo as pessoas, pareciam todas felizes, bem dispostas, com sorrisos gigantes e até colocaram logo a Leonor no convívio com os outros meninos do berçário;

2º - As crianças andavam todas imensamente felizes, brincavam com uma alegria que era contagiante, entrei e saí do Colégio com um sorriso no rosto;

3º - Avisei logo que a Leonor tinha Síndrome de Down e não houveram entraves, nem problemas, pelo contrário, houve aceitação, alegria, descontração e ali estávamos perante uma igualdade que eu procurava. Em tempo algum senti uma ponta de preconceito, um recuo por parte da instituição.

4º - E assim fácil, fácil, eu sabia que era ali que queria a minha Pipoquinha.

A Leonor faria a terapia dela normalmente na escola (a que tem direito até aos 6 anos pela Equipa Local de Intervenção precoce) uma vez por semana e faria exatamente os mesmos trabalhos que os coleguinhas, teria o mesmo tratamento (até porque o cromossoma extra não é VIP ahahahah), o mesmo apoio que todos os outros meninos. Quando fosse para ralhar, seria chamada à atenção e quando fosse para parabenizar assim seria. E era tudo o que eu sonhava e queria ouvir. Senti-me literalmente em casa.

A escolinha estava escolhida. Na realidade, às vezes penso, que foram a escola e as pessoas que lá trabalham que nos escolheram. Somos imensamente felizes ali. A minha pequenita não faz birras para ficar na escola, aliás, ela adora lá estar. Adora as atividades, as aulas de música. Eu sei que ela é feliz lá e que está muito bem entregue.

Confesso que tinha mais visitas a outras escolas após o Colégio Villalegre marcadas, mas desmarquei tudo, não fomos, não queríamos ir. Era ali que queria a minha princesinha, era ali que eu queria que ela crescesse, que se desenvolvesse, que se tornasse um ser humano educado e com valores, valores que nós presamos e defendemos e que lhe começamos a incutir.

Aproveito para agradecer de coração à Diretora (Dra. Ana), às educadoras, principalmente à da Nonô que ela venera (a Natália), às  auxiliares, principalmente à da sala dela (a Raquel) que ela ama de paixão, só vendo mesmo aqueles olhinhos e aquele sorriso quando a vê, à educadora Rute porque foi ela que nos "adotou", foi ela quem fez a visita ao colégio e ser-lhe-emos sempre agradecidos e à Débora, que já não se encontra no Colégio, mas foi quem com muito carinho cuidou da minha menina no berçário.

Obrigada também a todos os outros funcionários (Anabela, Marlene, Andreia, D. Antónia...). Perdoem-me se me estou a esquecer de alguém, que estou de certeza, mas não é por mal, é mesmo esta cabeça que não dá para mais.

Obrigada de coração, estamos os 3 muito, mas mesmo muito agradecidos!

Somos uns sortudos!

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