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Leonor e o Cromossoma do Amor

Este blog serve para vos falar um pouco da nossa vida enquanto pais de uma menina muito especial, pois tem o cromossoma do amor e na realidade foi isso mesmo que ela trouxe à nossa vida: muito amor!

Este blog serve para vos falar um pouco da nossa vida enquanto pais de uma menina muito especial, pois tem o cromossoma do amor e na realidade foi isso mesmo que ela trouxe à nossa vida: muito amor!

Leonor e o Cromossoma do Amor

09
Jan19

Quando 2 se tornam 1

Neuza

O João sempre me tinha dito que gostava muito de ser pai e que queria ter 2 filhos, ambos concordavamos que não queríamos filhos únicos, pois eu fui filha única durante quase 9 anos e não gostei nada desses anos de "solidão". Também já me tinha referido que gostava de ser pai antes dos 30 anos (não foi antes, mas foi aos 30).

Confesso que ele quis ser pai, antes de eu ter sentido que queria ser mãe. Dizia-me muitas vezes que se estavamos a pensar ter mais de um filho não podiamos esperar muito pois não queria que fossemos pais tardiamente e então depois de muita insistência dele comecei a ficar motivada, comecei a sentir a vontade de ser mãe e tornou-se um sonho gigante: sermos pais!

Então, após termos feito meio ano de casados, por volta de novembro desse ano, decidi que ia à minha médica ver se estava tudo bem comigo, fazer análises, ecografia, tudo o que a médica aconselhasse para ver se podíamos avançar sem receios. O João fez o mesmo, também foi ver se estava saudável.

Fizemos os exames que nos foram mandados fazer e estava tudo ótimo connosco. Como tal, decidimos que iriamos começar a tentar no ano seguinte. E assim entramos em 2017.

Não começamos a tentar logo no início do ano como tinhamos combinado porque o João teve um problemazito (nada grave, pelo contrário, até bastante comum), mas que implicou uma cirúrgia e como tal dediquei-me a ele e à sua recuperação. Eu também tive um precalço e tive de andar a tomar medicação e este nosso sonho foi adiado uns 2 mesitos.

Entretanto, começamos a tentar engravidar na primavera, sem pressões. Não somos daqueles casais que andam muito ansiosos ou a contar dias para ver qual o(s) nosso(s) dia(s) de maior fertilidade, nada disso, aconteceria quando tivesse de acontecer, até lá aproveitamos imenso a nossa vida como casal. E não, não engravidamos logo, levou uns meses para que acontecesse.

Chegamos ao fim do mês de Novembro. A menstruação era suposto aparecer no início de Dezembro, mas eu sempre sofri imenso com o aparecimento da mesma. Duas semanas antes de menstruar, tinha sempre imensas dores nas mamas e começava logo com dores a nível do baixo ventre, mas dores horríveis, muitas vezes era até custoso estar de pé e andar e nesse mês não foi diferente. Tive todas essas dores, mas com algumas alterações.

As dores a nível do baixo ventre, nesse mês, fixavam-se apenas num dos lados e não apanhavam toda a zona do mesmo e as dores nas mamas vieram acompanhadas de algo muito estranho, mas que não liguei apesar de não ser comum em mim: eu tinha duas pedras em vez de mamas. Era essa a sensação que eu tinha, de tão duras que elas se encontravam, mas como tinha todos os síntomas de que vinha aí a menstruação, apesar das pequenas alterações desse mês não desconfiei.

Já não me lembro ao certo do dia em que era suposto que a menstruação viesse, mas sempre fui muito certinha e sei que nesse dia ela não apareceu, óbvio que achei que tinha de haver qualquer coisa, no entanto, continuava com as minhas dores e por isso apenas achei que fosse um atraso.

No dia seguinte, ao fim do dia, ela teimava em não aparecer e eu continuava com as minhas dores, mas decidi que ia fazer o teste e assim foi. Depois de um dia de trabalho, à tardinha lá fui eu fazer o teste, estava sozinha em casa e convicta de que seria só um atraso. Fiz o teste, deixei-o no wc e fui para a sala ver TV e esqueci-me do mesmo.

Quando me lembrei dele fui então ver o que ele tinha para me dizer e lá estava um belo de um positivo. Não podia ser, era um engano, eu estava cheia de dores e portanto achei que devia fazer mais 3 testes, todos diferentes, pois não fosse estarem todos errados: sim, é verdade, eu fiz 4 testes!!!! E todos, de imediato deram positivo.

Durante uns segundos fiquei a olhar para aqueles 4 testes e comecei a chorar compulsivamente. Não conseguia falar, só chorava! Se não estava feliz? Claro que estava, mas era uma mistura de sentimentos. Agora era real, nós iamos ser pais, a nossa vida ia mudar por completo. Eu estava feliz, mas ao mesmo tempo estava assustada, começaram a aparecer várias questões na minha cabeça: "Será que vou conseguir?"; "Será que vou ser uma boa mãe?"; "Será que vou conseguir dar a este bebé tudo o que ele precisa?"; "Será que o vou conseguir educar, dar-lhe uma boa educação?"...Será que...? Será que...? Enfim, todas estas questões não paravam de se apresentar na minha cabeça. A sério que gostava de ter usufruído deste momento de outra forma, mas foi assim que vivi o momento, a chorar baba e ranho.

E o que é que a Neuza faz a seguir? Contar ao João? Nada disso...a chorar como se o mundo estivesse para terminar, eu decidi ligar à minha mãe a pedir socorro (sabe-se lá do quê e para quê), mas ela não me atendeu. Então decidi ligar para uma grande amiga com a qual eu trabalhava e quando ela atende e me vê naquele pranto, do outro lado do telefone diz em pânico: "O que se passa? Aconteceu alguma coisa ao Balu? (o meu único "bebé" até então) Queres que eu vá ter contigo?". E entre lágrimas e soluços lá conseguir dizer: "Estou grávida!"

Do outro lado ouvi um grito de felicidade, a minha amiga delirou, começou a dar-me os parabéns e a tentar acalmar-me. No meio de toda aquela euforia da parte dela, recebo uma chamada da minha mãe e desligo a chamada dela para atender a da minha mãe.

A minha grande mãe, não consegue perceber nada do que eu lhe estou a tentar dizer porque na realidade eu também não consigo falar porque continuo num choro inexplicável. A minha mami começa a ficar preocupada do outro lado pois pensa que algo me aconteceu e que foi grave.

No meio daquela loucura, lá consegui dizer: "Oh mãe, estou grávida!" e retorno o meu choro. Resposta da minha mãe, sempre muito prática: "Ah, que bom! Então e estás a chorar porquê Neuza? Não é bom?" Claro que é bom, eu sabia que era, mas não conseguia parar e continuava sem conseguir falar, do outro lado a minha mãezinha era presenteada apenas com um pranto que nem é bom lembrar (ahahahahah) e como tal diz-me: "Olha Neuza, eu vou desligar e já te ligo". Assim que ela desliga, não sei bem como, devo ter ficado em choque com o facto de me ter desligado o telefone, parei de imediato de chorar, já nem soluçava.

Voltou a ligar-me uns 15 minutos depois e diz-me: "Então já estás mais calma?" Sim, na realidade resultou  e estivemos a conversar um bocadinho. Falei-lhe dos meus medos e ela e depois o meu pai conseguiram acalmar-me o coração. Depois de falar com eles, fiquei numa felicidade imensa e pensei, vamos lá viver este sonho.

De seguida pensei como ia fazer para contar ao João e tive a ideia de lhe comunicar a Boa Nova através de uma carta, mas não seria uma carta qualquer, iria ser escrita em nome do nosso bebé, seria uma carta do bebé para o papá a informar da sua chegada na vida dele. E assim fiz.

Quando o João chegou a casa, cumprimentei-o e disse-lhe que tinha chegado uma carta para ele e entreguei-lha.

A cara dele a ler a carta não tem explicação, não foi nada do que eu imaginei. Parecia que estava a ler um texto em que estavam a gozar com a cara dele e no fim pergunta-me: "Isto é sério?" Eu ainda olhei para ele para ter a certeza que ele estava mesmo a fazer aquela questão e ele estava mesmo. Só consegui responder algo como: "Não, não tinha nada para fazer enquanto não chegavas e decidi escrever essa carta!...É claro que é verdade João!" e as lágrimas voltaram, voltei a não conseguir falar, mas ali, naquele instante, ele percebeu que era mesmo real e abraçou-me.

E assim começou a nossa aventura como futuros papás.

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